Arritmia cardíaca tem cura? Como conviver melhor com ela?

Convivendo melhor com arritmia
Com uma rotina de cuidados simples e acompanhamento frequente, é possível controlar a fibrilação atrial e evitar novos episódios

Arritmia é um termo bastante genérico, que indica qualquer alteração no padrão dos batimentos cardíacos: muito rápido, muito lento, ou mesmo irregular. 1 Existem vários tipos de arritmias, e elas podem surgir acompanhadas de sintomas ou não. Um terço dos pacientes não apresenta sintoma algum e descobre a doença apenas numa emergência médica.2

Apesar de a arritmia cardíaca em alguns casos não representar um problema grave de saúde4, para algumas pessoas ela é uma doença crônica. É preciso, então, obter primeiramente um diagnóstico adequado e entender o tipo de arritmia e os cuidados que você deve ter com a saúde do seu coração.

Um dos tipos mais comuns de arritmia é a chamada “fibrilação atrial” 6 (FA), que atinge cerca de 2 milhões de brasileiros. Na fibrilação atrial, as batidas do coração ficam muito rápidas e irregulares, e isso faz com que as contrações do coração fiquem muito fracas. Isso pode levar à formação de coágulos, que podem causar um derrame, também conhecido como Acidente Vascular Cerebral (AVC).3,7,8 Você se lembra de quando falamos da anatomia e do funcionamento do seu coração? Se você ainda não leu esse conteúdo, saiba mais clicando aqui.

Se você recebeu um diagnóstico de fibrilação atrial, pode precisar de ajustes ou mudanças em seu estilo de vida para melhorar a saúde de seu coração de uma forma geral, buscando também prevenir ou tratar doenças como a hipertensão (pressão alta), o colesterol alto ou outros problemas cardíacos.1,2,5,6 Tenha em mente que seu compromisso em seguir o tratamento sem interrupções e da forma correta reduz a chance de complicações e de outros episódios acontecerem.1,2,6,7,9

Para tratar as arritmias cardíacas, além de ajustes no estilo de vida e medicamentos, existem ainda certos procedimentos médicos que podem reverter algumas arritmias, como por exemplo a “ablação por cateter”, uma técnica que cauteriza (“queima”) os focos de arritmia, ou o implante de dispositivos cardíacos eletrônicos (DCEI), como o marca-passo e o desfibrilador implantável. Mas lembre-se sempre que é o acompanhamento médico criterioso que vai orientá-lo sobre o tratamento mais adequado para você, e que sua adesão ao tratamento é que vai permitir que você tenha uma melhor qualidade de vida.2,5,6,7

Fibrilação atrial e mudanças no estilo de vida

Com uma rotina de cuidados simples e acompanhamento frequente, é possível controlar a fibrilação atrial e evitar novos episódios:1,2,4-6

  • Elimine a ingestão de álcool ou reduza seu consumo drasticamente.
  • Já está provado que o álcool é um gatilho para a fibrilação atrial (FA);
  • Reduza o peso, caso esteja com sobrepeso ou obeso. A redução sustentada do peso pode diminuir a recorrência de FA;
  • Mantenha a pressão arterial e os níveis de colesterol controlados;
  • Pare de fumar;
  • Pergunte ao seu médico se pode se exercitar e com qual intensidade. Caso tenha autorização, faça exercícios regularmente, mantendo uma média de 150 minutos de atividade por semana, mas sempre com supervisão e acompanhamento constantes;
  • Tenha uma dieta saudável, evitando alimentos industrializados, e reduza a ingestão de açúcar (doces, refrigerantes), gorduras e carboidratos (arroz, macarrão, pão, batatas). Priorize legumes, vegetais, carnes, iogurtes e queijos magros;
  • Durma bem para acordar descansado. Investigue se não apresenta a apneia do sono (um distúrbio do sono em que a respiração para e volta diversas vezes durante a noite), o que aumenta muito o risco de fibrilação atrial, e trate o problema;
  • Diminua o estresse;
  • Não tome medicamentos ou suplementos sem autorização ou conhecimento do médico;
  • Visite o médico regularmente e sempre tome os medicamentos conforme foram prescritos.

Estas recomendações também valem para aqueles que fazem parte de algum grupo de risco, como idosos, pessoas com diabetes e hipertensão, ou que já tiveram infarto ou outras doenças do coração, ou ainda os que possuem histórico familiar da doença. Assim, podem reduzir a probabilidade de vir a desenvolver fibrilação atrial com o passar do tempo.1,4
Cuide-se, mantenha a adesão ao seu tratamento e visite seu médico regularmente!

Referências:

  1. National Heart, Lung and Blood Institute. [homepage na internet]. Arrhytmia. [Acesso em 28/01/2021]. Disponível em: https://www.nhlbi.nih.gov/health-topics/arrhythmia
  2. SOBRAC. – Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas [homepage na internet]. Arritmias cardíacas: mitos e verdades. [Acesso em 28/01/2021] Disponível em: https://sobrac.org/publico-geral/?p=4026
  3. Andrade, LCV. Boas práticas clínicas em cardiologia. Fibrilação Atrial. HCor. PROADI-SUS e American Heart Association. [Acesso em 28/01/2021] Disponível em: http://cardiol.br/boaspraticasclinicas/ferramentas/paciente/modelo-bpc/FolhetoFibrilArterial2.pdf
  4. National Heart, Lung and Blood Institute. [homepage na internet]. Atrial Fibrilation. [Acesso em 28/01/2021]. Disponível em: https://www.nhlbi.nih.gov/health-topics/atrial-fibrillation
  5. SOBRAC. – Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas [homepage na internet]. Arritmias cardíacas: 10 informações úteis para seu coração bater no ritmo certo. [Acesso em 28/01/2021]. Disponível em: https://sobrac.org/publico-geral/?p=4463
  6. Arrhythmia Alliance (homepage na internet) Understanding Your Condition Booklet. Arrhythmia Alliance Published July 2017 and reviewed January 2020. [Acesso em 28/01/2021]. Disponível em: https://www.heartrhythmalliance.org/aa/uk/patient-booklets
  7. Arrhythmia Alliance (homepage na internet) What is an arrhythmia? [Acesso em 28/01/2021]. Disponível em: https://www.heartrhythmalliance.org/aa/uk/what-isan-arrhythmia
  8. Costa, FA. Você de bem com seu coração: tudo o que você precisa saber para cuidar melhor dele e ter uma vida saudável. 1 ed, São Paulo: Matrix, 2013. [Acesso em 28/01/2021] Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf
  9. Adderley et al. ‘Risk of stroke and transient ischaemic attack in patients with a diagnosis of ‘resolved’ atrial fibrillation’. BMJ. 2018, 361. [Acesso em 28/01/2021] Disponível em: https://www.bmj.com/content/361/bmj.k1717

Material destinado ao público em geral.

Fevereiro/2021

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