Tenho dificuldade para dormir. Isso pode prejudicar o controle da minha arritmia cardíaca?

Dificuldade para dormir e controle da arritmia
Dificuldade para dormir pode prejudicar o controle da arritmia

Seu coração é uma máquina que trabalha 24 horas por dia e não descansa nunca. Dia e noite, ele pulsa para fazer com que os órgãos, músculos e tecidos do seu corpo recebam sangue rico em oxigênio, possibilitando assim o bom desempenho de suas funções.1 Mas, para que ele possa seguir trabalhando direitinho, quem precisa de descanso é você.

Você sabia que a quantidade de horas de sono está diretamente ligada não apenas ao seu equilíbrio emocional, à sua capacidade de raciocínio e de aprendizagem, mas também à sua saúde cardíaca? Pois é.2,3

Dormir pouco ou mal pode prejudicar o coração, pois favorece o aparecimento de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade, além de aumentar o risco de infartos e AVCs (derrames).2,3 Interessante que não é só a quantidade de sono que importa, a qualidade também é fundamental. Mas o que isso quer dizer?

Durante o sono nosso organismo se restabelece e repousa. É o momento em que mais produzimos anticorpos e no qual nossas células se renovam, e quando as defesas do nosso sistema imunológico se refazem.4

Para ser reparador, o sono não deve ter interrupções, além de ter uma duração adequada. Existe um período durante nosso sono em que nossa frequência cardíaca e a pressão das nossas veias e artérias ficam mais baixas, o que ajuda o coração a trabalhar menos intensamente e, consequentemente, “descansar”.4

Dentre todos os problemas do sono, o mais frequente é a apneia, que pode levar ao desenvolvimento ou agravamento de diversas doenças cardiovasculares, sendo uma das mais perigosas a arritmia cardíaca.4,5 Mas você sabe que é apneia do sono?

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) se caracteriza pela obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores em intervalos recorrentes enquanto a pessoa está dormindo. Quem sofre de apneia ronca, tem a respiração interrompida por alguns segundos diversas vezes durante o sono, que também fica agitado, e desperta frequentemente durante a noite.5,6 Por causa da obstrução das vias respiratórias, o esforço para respirar torna-se muito mais intenso, o nível de oxigênio no sangue cai e isso leva a um aumento da pressão e a um maior esforço do coração.4,5,6 A apneia aumenta em até quatro vezes o risco de desenvolver a fibrilação atrial (FA).7

Outro fator que pode contribuir para a redução da qualidade do sono e, consequentemente, aumentar os riscos de desenvolver ou agravar doenças cardiovasculares, é a obesidade. Pessoas acima do peso apresentam maior propensão para o aparecimento de diabetes, doenças cardiovasculares, dislipidemias (anomalias relacionadas ao nível de gorduras no sangue), entre outros problemas, além da apneia do sono.6

Existe uma crença de que ingerir álcool ajuda a relaxar antes de dormir, isso não é completamente real. Embora um dos efeitos imediatos da ingestão de álcool seja a facilidade em pegar no sono, essa maior rapidez é acompanhada de uma redução dos estágios considerados mais profundos do sono, ou seja, o sono perde qualidade.

Álcool em excesso, além de prejudicar o sono em si, ainda intensifica problemas como ronco, insônia e apneia de que falamos agora há pouco, além de poder desencadear crises de arritmia.4,8,9-11 Então, a moderação, neste caso, é a palavra de ordem.
Se você enfrenta dificuldades para dormir durante um longo período de tempo, deve procurar um médico. Para ajudar você a lidar com este problema, siga algumas orientações:8,11

  • Procure manter um horário fixo para dormir. Criar uma rotina prévia pode ser uma boa maneira de comunicar ao seu organismo que a hora de descansar se aproxima, por exemplo: tomar um banho, escovar os dentes, reduzir a luz ambiente. Estabeleça uma rotina que se adapte melhor aos seus hábitos;
  • À noite, a refeição deve ser mais leve, e você deve evitar consumir álcool e cafeína presente no café, chá e refrigerantes, por exemplo. Evite comer antes de dormir;
  • Deite-se apenas quando estiver com sono. Se o sono não vem, levante-se, vá para um lugar tranquilo, relaxe. Tente não estimular demais seu cérebro;
  • Evite o uso de computadores, tablets e celulares pelo menos uma hora antes de se deitar, pois a luz azul das telas interfere no ciclo do sono. Na cama, desligue a TV e o celular;
  • Faça exercícios físicos. Eles melhoram o padrão do sono e ajudam a regular os hormônios relacionados ao sono e à vigília. Se possível, pratique sua atividade ao ar livre, pois a luz do sol também ajuda a regular ciclo do sono.

Mantenha seu tratamento e seu sono em dia! Cuide do seu coração!

Referências:

  1. SOBRAC. – Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas [homepage na internet]. Arritmias cardíacas: 10 informações úteis para seu coração bater no ritmo certo. [Acesso em 28/01/2021] Disponível em: https://sobrac.org/publico-geral/?p=4463
  2. HCor (homepage na internet) Dormir mal prejudica o coração. [Acesso em 28/01/2021]. Disponível em: https://www.hcor.com.br/imprensa/noticias/dormir-mal-prejudica-ocoracao/
  3. SOBRAC. – Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas [homepage na internet]. Arritmias cardíacas: mitos e verdades. [Acesso em 28/01/2021]. Disponível em: https://sobrac.org/publico-geral/?p=4026
  4. Drager, LF et al. 1º Posicionamento Brasileiro sobre o Impacto dos Distúrbios de Sono nas Doenças Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol. 2018; 111(2):290-340.
  5. Campostrini, D. D. A., Prado, L. B. F. do, & Prado, G. F. do. (2014). Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono e Doenças Cardiovasculares. Revista Neurociências, 22(1), 102-112.
  6. Mancini, MC; Aloe, F; Tavares, S. Apneia do sono em obesos. Arq Bras Endocrinol Metab vol.44 no.1 São Paulo Feb. 2000.
  7. Jardim Filho, MFG. Relação entre apneia obstrutiva do sono e arritmia cardíaca. Publicado em 13/08/2019. [Acesso em 28/01/2021]. Disponível em: https:// pebmed.com.br/relacao-entre-apneia-obstrutiva-do-sono-e-arritmia-cardiaca/
  8. Passos, GS; Tufik, S; Santana, MG; Polares, D; Mello, MT. Tratamento não farmacológico para a insônia crônica. Rev Boas Psiq, 2007.
  9. Reid-Varley WB, Ponce MC & Khurshid KA. Sleep disorders and disrupted sleep in addiction, withdrawal and abstinence with focus on alcohol and opioids. Journal of the Neurological Sciences. 2020; 411:116713.
  10. El-Sayed, MS; Ali, N; Ali, Z.E-S. Interaction Between Alcohol and Exercise: Physiological and Haematological Implications. Sports Med 35(3):257-269; 2005.
  11. Martins, PJF; Mello, MT; Tufik, S. Exercício e sono. Rev Boas Med Esporte. Vol7, nº a1, Jan-Fev 2001.

Material destinado ao público em geral.

Fevereiro/2021

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