Como melhorar a qualidade de vida para pacientes com IEP?

Para entender o papel do cuidado com a alimentação quando você tem insuficiência exócrina, vamos primeiramente entender melhor como funciona seu pâncreas? 

O pâncreas é uma glândula localizada atrás do estômago, que exerce 2 funções principais: 

  • uma função endócrina, que permite que ele produza hormônios como a insulina, por exemplo
  • uma função exócrina, que produz as enzimas que vão auxiliar na digestão dos alimentos, fazendo com que as gorduras, proteínas e carboidratos presentes neles possam ser absorvidas. 

A insuficiência exócrina do pâncreas (IEP), portanto, é uma condição que afeta a capacidade do pâncreas em produzir tais enzimas. Como consequência, a comida não digerida corretamente provoca diversos sintomas desagradáveis e bastante incômodos, o que pode afetar muito sua qualidade de vida.1,2

A boa notícia é que a insuficiência exócrina do pâncreas é uma condição controlável e tratável. Em geral, com mudanças na alimentação e estilo de vida, e com a reposição de enzimas e suplementação de vitaminas.1-3

É preciso reforçar que apenas um médico pode diagnosticar, tratar e acompanhar os quadros de insuficiência pancreática exócrina. Mas você pode adotar algumas mudanças de estilo de vida que podem ajudar na melhora dos seus sintomas. 4

A dor e a diarreia frequente podem ser consideradas fatores de grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. Assim também são a perda de peso e a fadiga decorrentes da evolução do quadro de IEP. 2,5,6

Saiba mais sobre os sintomas da IEP nessa matéria

Uma atenção especial ao cuidado com a nutrição e dieta pode ser um importante passo para reduzir alguns sintomas. Vamos entender melhor? 

Dieta balanceada, exercícios físicos e mais dicas para pacientes com IEP

Para todos nós, e especialmente para os pacientes com IEP, é importante seguir uma dieta normal, porém balanceada e saudável, ingerindo alimentos de diversos grupos, nas quantidades adequadas. Esse cuidado assegura as quantidades de nutrientes e vitaminas que seu organismo precisa. O apoio de um nutricionista pode ser de grande ajuda para sua adaptação. 7,8

Porções menores podem ser de mais fácil digestão, o que ajuda o trabalho do pâncreas. Por isso, tente distribuir suas refeições em 5 ou 6 momentos do dia: 3 refeições um pouco maiores, como o desjejum, almoço e jantar, e 2 ou 3 lanches menores. Se seu médico lhe prescreveu uma reposição enzimática, ela deverá ser ingerida junto com as refeições. 7,8

Cuidados com a dieta

Não é recomendável restringir a ingestão de alimentos, pois a redução calórica pode ser prejudicial para sua saúde geral. 7,8 Também não é recomendável seguir dietas muito ricas em fibras, pois elas podem interferir na atividade das enzimas em seu organismo. 7,8

Nutrição e dificuldade de absorção de vitaminas

Se você tem insuficiência exócrina, seu organismo pode ter dificuldades em absorver algumas vitaminas que são lipossolúveis (dissolvidas em gorduras), como A, B12, D, E e K. Por isso seu médico poderá recomendar suplementos para suprir essa necessidade, caso verifique sua carência em exames de sangue. 2,3,8,9

Álcool e tabaco em excesso são extremamente prejudiciais. O hábito acarreta prejuízos para qualquer pessoa, mas em especial para quem tem IEP. Pacientes com insuficiência exócrina do pâncreas devem eliminar esses comportamentos. 1,8,9

Beber água é um hábito saudável

A ingestão de água tem especial importância para pessoas com IEP, que podem perder muito líquido devido a diarreias frequentes. Certifique-se de que seu consumo de água ao longo do dia seja adequado. A Organização Mundial da Saúde recomenda, para pessoas sedentárias, a ingestão de 2,5 a 3 litros por dia.10

Atividade física rotineira

Por fim, a recomendação de manter o corpo em constante movimento é parte importante de um estilo de vida saudável. Esse hábito também pode ajudar a melhorar a qualidade de vida de pessoas com IEP. 4,11

Encontre a modalidade à qual você melhor se adapte, mesmo que leve, e desfrute dos benefícios que o exercício físico pode lhe trazer.

Cuide da sua alimentação, evite o sedentarismo e ganhe qualidade de vida! 7,8,10,11

Referências bibliográficas:

  1. Medscape. Watson, J. Teste: O que você sabe sobre esta doença do pâncreas? Publicado em 30/08/2016. [Acesso em 09/03/2021]. Disponível em: https://portugues.medscape.com/verartigo/6500476
  2. Fieker A, Philpott J, Armand M. Enzyme replacement therapy for pancreatic insufficiency: present and future. Clin Exp Gastroenterol. 2011;4:55-73
  3. Domínguez-Muñoz JE, Phillips M. Nutritional therapy in chronic pan­creatitis. Gastroenterol Clin North Am. 2018;47:95-106.
  4. PanCAN.org [Pacreatic Cancer Action Network]. Medina, T. 8 Tips on Managing Exocrine Pancreatic Insufficiency. 29/03/2019. Acesso em 10/03/2021. Disponível em: https://www.pancan.org/news/8-tips-on-managing-exocrine-pancreatic-insufficiency/
  5. Pezzilli R, Morselli Labate AM, Ceciliato R, et al. Quality of life in patients with chronic pancreatitis. Dig Liver Dis. 2005;37(3):181–189
  6. Ockenga, J. Importance of nutritional management in diseases with exocrine pancreatic insufficiency. HPB (Oxford). 2009 Dec; 11(suppl 3):11-15.
  7. Pezzilli, R et al. Exocrine pancreatic insufficiency in adults: A shared position statement of the Italian association for the study of the pancreas. World J Gastroenterol. 2013 Nov 28; 19(44): 7930–7946.
  8. WebMD. Nazario B, MD. How to manage EPI. 18/10/2019 [Acesso em 10/03/2021]. Disponível em: https://www.webmd.com/digestive-disorders/epi-treatment
  9. Galvão-Alves, J. Insuficiência Exócrina do Pâncreas – Recomendações; Colaboradores: Antônio Eiras, Júlio Maria Fonseca Chebli, Martha Pedroso, Olívia Barberi Luna. Rio de Janeiro: [s.n.], 2020, 108p.
  10. Blog da Saúde (Ministério da Saúde). Beber mais água é uma ótima meta para o novo ano. Publicado em 02/01/2017. Acesso em 10/03/2021. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/52178-beber-mais-agua
  11. Shiroya, Y; Minato, K. Beneficial effects of physical exercise on the exocrine pancreas. J Phys Fitness Sports Med, 4(4):307-313 (2015)

Material destinado ao público em geral

Abril/2021

BRZ2184264