Enxaqueca e Alimentação

Alguns alimentos podem deflagrar crises de enxaqueca: homem jovem escrevendo uma lista de compras na cozinha, cercado de alimentos saudáveis, como vegetais

Alguns alimentos podem deflagrar crises de enxaqueca. Em estudo realizado com 200 pacientes com diagnóstico de enxaqueca, 83,5% apresentaram algum fator alimentar como deflagrador de crises 1.

Dentre os desencadeantes alimentares frequentemente relacionados à migrânea estão:

  • Jejum prolongado;
  • Desidratação;
  • Bebidas alcoólicas (vinho, cerveja, destilados);
  • Chocolate;
  • Queijos amarelos;
  • Frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi);
  • Linguiça, salsicha e outros embutidos de coloração avermelhada, que utilizam nitritos e nitratos como conservantes;
  • Café, chá e refrigerante à base de cola;
  • Sorvete, alimentos fritos ou ricos em gorduras;
  • Aspartame;
  • Glutamato monossódico, presente nos intensificadores de sabores, salgadinhos, sopas enlatadas, entre outros preparos.

O vinho é a bebida alcoólica mais citada como fator desencadeante, devido à sua relação com a histamina, encontrada em sua composição.

Colorantes, conservantes de carnes e peixes processados também podem colaborar com o surgimento das dores, devido à presença de nitrito de sódio em sua composição, que apresenta ação vasodilatadora.

Produtos à base de cafeína podem deflagrar crises de migrânea, uma vez que a substância atua como estimulante do sistema nervoso central e é desidratante.

Aliviando a dor

Algumas atitudes simples e naturais podem ser tomadas durante uma crise, aliviando a dor e minimizando os sintomas da enxaqueca.

  • Tome o remédio exatamente conforme prescrito por seu médico;
  • Pare o que está fazendo e relaxe;
  • Procure ficar em um ambiente escuro e silencioso;
  • Aplique gelo na área dolorida por 15 a 20 minutos. Não esqueça de envolvê-lo em uma toalha, evitando o contato direto com a pele;
  • Descanse e tente dormir.

E lembre-se: o uso indiscriminado de analgésicos pode agravar o quadro de migrânea. Ao automedicar-se você pode conter a dor naquele momento, mas estará contribuindo para o possível aumento da frequência e intensidade das crises.

Dieta da prevenção

O envolvimento da alimentação com a enxaqueca ainda é motivo de muitos estudos e debates. Mas, para alguns autores, assim como alguns alimentos podem deflagrar crises de enxaqueca, certos alimentos podem ter efeitos terapêuticos, sendo excelentes coadjuvantes no tratamento da enxaqueca². Para isso, é importante que o paciente inclua em sua dieta alimentos ricos em selênio, magnésio e vitamina B2.

O selênio é encontrado na castanha de caju. O magnésio está presente nas folhas verdes escuras (brócolis, espinafre), soja, leguminosas, castanhas, cereais (aveia, arroz integral), carnes, peixes (salmão) e nos ovos. Já entre os alimentos ricos em vitamina B2 estão carnes magras, iogurtes, leite, ovos, vegetais verdes (acelga) e queijo branco.

O gengibre também é muito utilizado no tratamento da enxaqueca, pois bloqueia a síntese da prostaglandina, substância que causa inflamação. O alimento ainda possui propriedades anti-inflamatórias, que aliviam as crises.

Além do consumo diário desses alimentos, o fracionamento da dieta é fundamental na prevenção das crises de enxaqueca. Isso porque o jejum prolongado pode gerar uma baixa na taxa de açúcar do sangue, produzindo substâncias que causam dor. O ideal é manter uma alimentação com intervalos regulares, a cada três ou, no máximo, quatro horas.

Referências:

  1. FUKUI et al., 2008; LEIRA; RODRÍGUEZ, 1996; MILLICHAP;
  2. YEE, 2003; VAUGHAN, 2008. DIENER et al., 2005.

Redação:

Andrea Luna Jornalista MTB: 45.172

Colaboradores:

Dr. Mauro Eduardo Jurno Coordenador do Departamento Científico de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia.

Daniela Cierro Nutricionista – CRN 3 8790 Consultora da Associação Brasileira de Nutrição.

Material destinado ao público geral

Dezembro/2020

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