Suplementação com prebióticos - a:care Abbott

Suplementação com prebióticos e a manutenção de uma microbiota saudável

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Suplementação com prebióticos e a manutenção de uma microbiota saudável

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Dr. Marcello Pedreira – CRM-SP 65.377 Especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Membro do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da SBP. Membro do Departamento de Emergências da SPSP. Pediatra da Unidade de Pronto-Atendimento do Hospital Sírio-Libanês.

O número de micro-organismos que colonizam nosso trato intestinal é cerca de dez vezes superior ao número de células do corpo, correspondendo a um número de genes cerca de 150 vezes maior que o genoma humano.1 Portanto, nada é mais claro que aceitar a existência de uma relação de homeostase bidirecional com nosso sistema imunológico, em que a microbiota se beneficia de um ambiente estável e dos nutrientes fornecidos no trato intestinal, enquanto nosso organismo tira proveito dos produtos da fermentação das fibras da dieta, da produção de vitaminas K e B12 e da proteção contra infecção por agentes patogênicos.1 Uma vez quebrada essa relação estável por alterações da microbiota ou de nosso sistema imunológico, aumentam as chances de desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais, alergias e doenças metabólicas ao longo da vida.1

A formação da microbiota desde os primeiros dias

Logo após o nascimento, as primeiras bactérias a colonizar os intestinos do bebê são oriundas da microbiota materna (vaginal, fecal, oral, cutânea, do leite), assim como do próprio ambiente1, motivo pelo qual a nutrição da gestante e da lactante é fundamental para o início da formação da microbiota do bebê. Apesar dos achados do fim do século 19 mostrarem que o mecônio era supostamente estéril, estudos moleculares recentes sugerem que a exposição microbiana pode começar antes mesmo do nascimento, com os bebês recebendo micro-organismos maternos durante a gestação.1

Ao analisar a placenta, estudos mostram uma semelhança com a microbiota oral, sugerindo que as bactérias possam passar da cavidade oral para a placenta, possivelmente justificando o fato de mulheres com doenças periodontais terem um risco aumentado de complicações na gravidez.2 Outra hipótese, a de que as bactérias do feto possam ser originadas a partir da microbiota intestinal materna, a qual muda dramaticamente durante a gravidez, não pode ser descartada.2,3

Entre os motivos que reforçam a necessidade de uma microbiota materna adequada se encontram fatores como uso de antibióticos durante a gestação, tipo de parto, região geográfica e tradições culturais, especialmente em relação à dieta, os quais podem influenciar profundamente o desenvolvimento da microbiota.1

A influência dos alimentos no desenvolvimento e na manutenção da microbiota

A introdução de diferentes alimentos ao longo do primeiro ano de vida das crianças, muitas vezes sem um aporte adequado de fibras, impacta consideravelmente o desenvolvimento precoce da microbiota intestinal. A falta de fibras faz com que o número de bifidobactérias caia progressivamente e uma microbiota do tipo adulto seja formada mais precocemente, com o predomínio de Bacteroides, Clostridium e Enterobacteriaceae1,4, contribuindo para uma maior suscetibilidade a infecções, inclusive em pessoas idosas.1 De qualquer forma, aos dois ou três anos de idade, uma microbiota mais estável do ponto de vista funcional já se encontra estabelecida, semelhante à dos adultos.4

Nesse contexto, o papel das fibras prebióticas na manutenção de uma microbiota saudável torna-se um foco promissor para prevenção e tratamento de diversas doenças.1

Prebióticos como componentes fundamentais de uma dieta saudável

Basicamente, prebióticos ou fibras prebióticas são definidos como carboidratos não digeríveis que atingem o cólon de forma intacta e têm uma importância fundamental para manter uma microbiota saudável ao estimular seletivamente o crescimento e a atividade de bactérias que exercem um efeito positivo sobre a saúde.1,4

Outro ponto de destaque a respeito da importância de uma alimentação rica ou suplementada com fibras é que, em situações de deficiência de fibras alimentares, a microbiota intestinal recorre às glicoproteínas do muco que recobre o epitélio intestinal como fonte de nutrientes, levando à erosão da barreira colônica. Nesse caso, a privação de fibras dietéticas juntamente com a presença de bactérias que destroem o muco intestinal permite o acesso de agentes patogênicos à mucosa, aumentando o risco de colites graves.5

Portanto, reconhecendo a importância da microbiota intestinal para a saúde humana, a introdução de prebióticos pode ser considerada um avanço em termos nutricionais. A modulação da composição e da atividade da microbiota intestinal explica, em parte, os benefícios dos prebióticos demonstrados em estudos clínicos.4 Vale a pena considerar também que o consumo regular de fibras ajuda a evitar a erosão da barreira de muco intestinal por certas bactérias, impedindo a ação de patógenos na gênese de colites.5

Efeitos dos prebióticos sobre a saúde

Por não haver enzimas capazes de as digerir no intestino delgado, as fibras prebióticas chegam intactas ao cólon e são fermentadas pelas bactérias comensais. A partir daí, reconhecem-se dois tipos de efeitos benéficos dos prebióticos:6

Efeitos indiretos – A fermentação das fibras prebióticas resulta na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs) que, além de criar um ambiente ácido (pH em torno de 5), favorecem a proliferação de lactobacilos e bifidobactérias. Essas bactérias, por sua vez, estimulam o desenvolvimento e o bom funcionamento do sistema imunológico intestinal.4,6 Os principais AGCCs produzidos (acetato, butirato e propionato) servem como fonte de energia para os enterócitos, assim como estímulo para certos tipos de “comunicação” entre as bactérias e a mucosa, como a regulação da expressão dos Toll-Like Receptors (TLR). No entanto, mais estudos são necessários para responder a algumas questões relativas à manutenção em longo prazo dos efeitos dos prebióticos e aos seus efeitos em comparação aos dos probióticos.6

Efeitos diretos – Estudos recentes sugerem que os prebióticos também podem agir diretamente na luz intestinal, contribuindo na proteção contra infecções e doenças inflamatórias. O melhor exemplo desse efeito direto é a ação de certos oligossacarídeos que inibem a aderência de bactérias patológicas. Açúcares terminais dos oligossacarídeos se ligam precocemente aos receptores das bactérias, impedindo que estas se liguem aos receptores das microvilosidades e iniciem a colonização da mucosa.6 Paralelamente, demonstrou-se que os prebióticos podem estimular diretamente o sistema imunológico, ao regular e elevar a produção de IL-10 e INF-g e mostrar um efeito ainda maior que os probióticos no estímulo à produção de IgA no íleo e no ceco.6

Em resumo, para que a colonização bacteriana dos intestinos seja feita de maneira adequada desde o início da vida e mantida ao longo de nossa existência, permitindo, inclusive, o desenvolvimento e a manutenção funcional do sistema imunológico intestinal, é muito importante a presença de fibras na alimentação ou a suplementação com prebióticos em um momento oportuno. Os prebióticos têm a capacidade de modificar o meio colônico para favorecer o crescimento de bifidobactérias e lactobacilos e presumivelmente ativar os mecanismos de defesa contra infecções e alergias, seja qual for a faixa etária.1,6

Referências bibliográficas

1. Wopereis H, Oozeer R, Knipping K, Belzer C, Knol J. The first thousand days – intestinal microbiology of early life: establishing a symbiosis. Pediatr Allergy Immunol. 2014;25(5):428-38.

2. Nuriel-Ohayon M, Neuman H, Koren O. Microbial Changes during Pregnancy, Birth, and Infancy. Front Microbiol. 2016 Jul 14;7:1031.

3. Collado MC, Rautava S, Aakko J, Isolauri E, Salminen S. Human gut colonisation may be initiated in utero by distinct microbial communities in the placenta and amniotic fluid. Sci Rep. 2016 Mar 22;6:23129.

4. Oozeer R, van Limpt K, Ludwig T, et al. Intestinal microbiology in early life: specific prebiotics can have similar functionalities as human-milk oligosaccharides. Am J Clin Nutr. 2013;98(suppl):561S-71S.

5. Desai MS, Seekatz AM, Koropatkin NM, et al. A dietary fiber-deprived gut microbiota degrades the colonic mucus barrier and enhances pathogen susceptibility. Cell. 2016 Nov 17;167(5):1339-53.

6. Forchielli ML, Walker WA. The role of gut-associated lymphoid tissues and mucosal defence. Br J Nutr. 2005 Apr;93 Suppl 1:S41-8.


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