Insuficiência Exócrina do Pâncreas (IEP): entenda a importância do diagnóstico e tratamento

Como já vimos anteriormente a insuficiência exócrina do pâncreas (IEP) é uma condição que resulta na incapacidade de digerir os alimentos corretamente. Ela pode ser confundida com diversas outras doenças, pois apresenta sinais pouco específicos, comuns em diversas patologias gastrointestinais e digestivas.1

Entre os sintomas mais frequentes encontram-se:

  • má digestão
  • excesso de gases
  • sensação de que o estômago está “estufado”
  • distensão abdominal (barriga “inchada”)
  • cólicas
  • dor na parte alta do abdômen
  • dor no estômago
  • fezes soltas e malcheirosas, difíceis de sair do vaso sanitário

Para saber mais sobre a origem desses sintomas, acesse a matéria completa aqui.1-3

Como saber se corro risco de desenvolver insuficiência exócrina do pâncreas?

Pacientes com insuficiência exócrina do pâncreas costumam ser assintomáticos. Ou seja, não apresentam sinais ou sintomas perceptíveis quando a condição começa a se manifestar. 

Um dos primeiros sintomas que pode chamar a atenção é a má digestão, a qual pode trazer uma série de consequências para o organismo. 1 Isso ocorre porque, na IEP, o pâncreas não consegue produzir as enzimas necessárias para auxiliar o processo de digestão, e os nutrientes vindos dos alimentos não são absorvidos como deveriam.2

Se seu organismo não consegue absorver as vitaminas necessárias para o correto funcionamento, a tendência é que o quadro progrida, principalmente se a situação persistir sem tratamento por um período prolongado.

A falta de diagnóstico adequado pode levar o paciente a desenvolver anemia e desnutrição, que podem ter como consequência:1-3

  • fraqueza
  • cansaço extremo
  • perda de peso sem motivo aparente
  • cegueira noturna
  • perda de massa óssea com possibilidade de fraturas
  • perda de massa muscular
  • distúrbios hemorrágicos e outras manifestações neurológicas, dermatológicas e motoras. 1-3

Com o passar do tempo você pode apresentar diarreia frequente, cólicas abdominais fortes e perda de gordura pelas fezes. Como nessa situação a gordura sai do organismo sem ser absorvida, muitas vitaminas que só são solúveis em gordura acabam sendo eliminadas.4-6

Alguns grupos correm maior risco de apresentar quadros de insuficiência exócrina do pâncreas. Entre elas estão os diabéticos (tipos I e II), pacientes bariátricos ou que passaram por outras cirurgias gastrointestinais, idosos ou pessoas acima dos 50 anos e portadores de câncer no pâncreas, por exemplo.2,7

A IEP também pode ser consequência de algumas doenças pré-existentes, que podem estar relacionadas ou não com o pâncreas, entre as quais: 1,2,7

  • Síndrome de Zollinger-Ellison
  • Hemocromatose hereditária
  • Doença de Crohn
  • Doença Celíaca
  • Fibrose Cística
  • Pancreatite crônica

Descobri que estou entre as pessoas com risco para o desenvolvimento de IEP. O que posso fazer?

Se você não tem sintomas, mas faz parte dos grupos com maior risco para a doença, realizar exames periódicos como rotina é sempre muito importante. Informe seu médico sobre qualquer doença pré-existente, para que ele possa fazer os acompanhamentos necessários e solicitar exames de controle. Esse cuidado é fundamental para avaliar qualquer alteração importante na absorção de vitaminas, por exemplo.1,3 Para avaliação, o médico poderá solicitar exames de sangue para checagem as taxas de vitaminas e minerais, exames de fezes para averiguar a presença de gordura, e outros exames complementares, como uma endoscopia, por exemplo, caso necessário.8

Se você apresenta alguns dos sintomas descritos no início dessa matéria de forma persistente, se já realizou tratamentos anteriores que não tiveram efeito ou que aliviaram esses sintomas apenas momentaneamente, converse com seu médico sobre a possibilidade de serem sinais de insuficiência exócrina do pâncreas.5,6

A IEP é uma condição controlável e o tratamento adequado, prescrito pelo seu médico, pode lhe devolver qualidade de vida.1,9

Referências bibliográficas:

  1. Medscape. [homepage na internet]. Anand, BS. Teste rápido: apresentação e diagnóstico da insuficiência exócrina do pâncreas. 21/07/2020. [Acesso em 03/03/2021]. Disponível em: https://portugues.medscape.com/verartigo/6505078
  2. Galvão-Alves, J. Insuficiência Exócrina do Pâncreas – Recomendações; Colaboradores: Antônio Eiras, Júlio Maria Fonseca Chebli, Martha Pedroso, Olívia Barberi Luna. Rio de Janeiro: [s.n.], 2020, 108p.
  3. Medscape. [homepage na internet]. Saber Al-Kaade. Exocrine Pancreatic Insufficiency Clinical Presentation. Publicado em 03/02/2020. [Acesso em 03/03/2021]. Disponível em https://emedicine.medscape.com/article/2121028-clinical#showall
  4. Domínguez-Muñoz JE, Phillips M. Nutritional therapy in chronic pancreatitis. Gastroenterol Clin North Am. 2018;47:95-106.
  5. Capurso G, Traini M, Piciucchi M, Signoretti M, Arcidiacono PG. Exocrine pancreatic insufficiency: prevalence, diagnosis, and management. Clin Exp Gastroenterol. 2019;12:129-39.
  6. Othman MO, Harb D, Barkin JA. Introduction and practical approach to exocrine pancreatic insufficiency for the practicing clinician. Int J Clin Pract. 2018;72(2):e13066.
  7. Perbtani, Y., & Forsmark, C. E. (2019). Update on the diagnosis and management of exocrine pancreatic insufficiency. F1000Research, 8, F1000 Faculty Rev-1991. https://doi.org/10.12688/f1000research.20779.1
  8. Medscape. [homepage na internet]. Saber Al-Kaade. Exocrine Pancreatic Insufficiency Workup. Publicado em 03/02/2020. [Acesso em 03/03/2021]. Disponível em: https://emedicine.medscape.com/article/2121028-workup
  9. Fieker A, Philpott J, Armand M. Enzyme replacement therapy for pancreatic insufficiency: present and future. Clin Exp Gastroenterol. 2011;4:55-73

Material destinado ao público em geral

Abril/2021

BRZ2184263