Transtorno Afetivo Bipolar

É uma doença com causas biológicas, neuroquímicas e psicossociais em que existe uma alteração do humor, cujos sintomas podem ser classificados em: episódios depressivos alternados com episódios de euforia (também chamada de mania ou hipomania, dependendo da intensidade e da duração) e casos em que há uma mescla de episódios depressivos com os de euforia.

Nos episódios depressivos, além do humor depressivo ou irritável, podem ocorrer: alteração do ânimo; desinteresse ou falta de prazer nas atividades habituais; falta de concentração; esquecimentos; dificuldade para tomar decisões; isolamento social; experiência subjetiva de grande sofrimento; perda ou aumento de apetite; sentimento de culpa; pensamentos de morte e de suicídio, comprometendo a vida como um todo.

Nos episódios de euforia, além da exaltação do humor (eufórico, expansivo ou irritável), podem ocorrer: aumento de energia; aceleração do pensamento; fala rápida e difícil de ser interrompida, com frequentes mudanças de assunto; maior interesse sexual; desinibição exagerada e delírios em casos de mania mais graves.

Em média 13 anos, devido a tratamentos equivocados, ausência de comunicação entre os profissionais envolvidos, desconhecimento sobre como a doença se manifesta, gerando sofrimento para a pessoa portadora e para seus familiares. Desse modo, é fundamental que a pessoa que apresente a sintomatologia inerente à doença — não necessariamente todos os sintomas, mas pelo menos três —passe por uma avaliação médica realizada por profissional com conhecimento sobre transtorno afetivo bipolar.

A causa exata do transtorno afetivo bipolar é desconhecida. No entanto, estudos sugerem que o problema possa estar associado com um desequilíbrio de substâncias químicas do cérebro, tais como noradrenalina e serotonina entre outras substâncias. Esse desequilíbrio reflete uma base genética ou hereditária para o transtorno.

Alguns estudos estabeleceram relações entre determinadas atitudes familiares e a evolução da sintomatologia da doença. Em famílias com membros portadores do transtorno afetivo bipolar é comum surgirem, no relacionamento familiar, indutores de episódios de mania, hipomania e depressão, tais como: falhas de comunicação, superposição de papéis e estruturas (perda da hierarquia familiar), impaciência, hostilidade, negatividade, desqualificação da comunicação do outro etc. Os sintomas também podem ocorrer sem uma causa identificável.

Os pacientes não devem abandonar o tratamento, seguindo sempre as orientações de sua equipe de saúde mental. Infelizmente, estima-se que metade dos portadores do transtorno abandona o tratamento pelo menos uma vez durante o curso da doença; e que 1/3 abandona o tratamento em momentos em que os sintomas se manifestam. Interrupções frequentes do tratamento podem provocar resistência aos medicamentos. A piora da enfermidade favorece o risco de suicídio entre 10% e 15% dos casos.

 

Com o avanço das medicações no tratamento da doença, diminuiu consideravelmente o tempo dispendido na hospitalização do paciente. Dessa forma, foi delegado à família o papel de cuidador. Para que este papel seja adequadamente desenvolvido, a família necessita: ser esclarecida sobre a sintomatologia da doença; uso correto da ingestão de medicações prescritas pelo médico; manutenção de rotinas diárias, como horários para alimentação, sono e atividades de trabalho e/ou estudo; e o que desencadeia sintomas por meio de relacionamentos nocivos como os descritos na pergunta anterior.

A participação da família no tratamento do portador do transtorno afetivo bipolar é fator importante na prevenção de recaídas e, consequentemente, no aumento da qualidade de vida para o portador e para a própria família.

A psicoterapia familiar é indicada para que portadores e familiares consigam identificar, em suas relações cotidianas, atitudes e comportamentos que possam predispor ao desencadeamento dos sintomas. Atividades de orientação psicoeducacional, por sua vez, ocorrem de forma significativa para difundir e compartilhar informações sobre a doença e seu tratamento entre portadores, familiares e amigos para, fundamentalmente, alimentar a esperança de um momento presente e futuro mais promissores a todos os envolvidos.


“Segundo dados da Organização mundial da Saúde (OMS), atualmente o transtorno afetivo bipolar atinge cerca de 2,2% da população geral, sendo considerado uma das principais causas de incapacitação entre todas as doenças.”

Conteúdo elaborado por profissionais do conselho científico da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos do Humor (ABRATA).

Material destinado aos usuários do website do programa a:care

Maio/2019 – BRCNS190516

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